4.11.15

Destino: Península Valdes (Patagônia argentina) – 5 dias

No carnaval de 2012 (sim, muito tempo atrás!), entre os dias 17 e 21 de fevereiro, resolvi que queria fugir das praias lotadas, dos passeios e das festas dessa época. Embarquei para conquistar mais um sonho e desbravar um novo canto. Dessa vez, fui sozinha e curti rápidos e mágicos dias na Península Valdes, Patagônia Argentina. Fico devendo valores ao certo, já que variam por “n” motivos. Mas, à época, foram cerca de 900 dólares a parte terrestre. 

1° Dia - São Paulo/ Buenos Aires/Trelew/Puerto Madryn Avião até BsAs > Avião até Trelew > Traslado Trelew até Puerto Madryn (70km)
Estadia em Hotel Villa Piren (4 noites)

No traslado, percebi muita sujeita na estrada, o que assustou um pouco, já que da outra vez que fui à Patagônia, bem mais ao sul, os cantos e caminhos turísticos eram bem preservados e limpos.

A região de Trelew me pareceu um pouco mais árida e industrial, mas posso estar super equivocada e ter sido uma época de má gestão de coleta de resíduos ou qualquer coisa parecida. Pois bem, fiquei os quatro dias na mesma cidade, Puerto Madryn, com vista de tirar o fôlego para o mar. A cidade é pequerrucha, fofíssima e a orla principal é uma delícia. A cada noite tirei para conhecer uma comilância e um vinho locais e andar muito pelas ruinhas – sejam as do centro, as próximas à orla ou as mais residenciais!
Jantar: El Nautico. Foi a melhor refeição de todos os dias. Lugar aconchegante, meio bagunçado, tipo cantina, atendimento e comidas excelentes!

2° Dia – Puerto Madryn – Península Valdes 
Esse foi um dia repleto de paisagens e descobertas. Fechei o passeio pela Freeway, em São Paulo mesmo, e eles contrataram uma empresa local – pena que eu não me recorde o nome, pois adorei o serviço deles. Mas todos os passeios são facilmente contratado por lá mesmo, sem qualquer necessidade de fechar com antecedência. Fizemos – o grupo fofo que estava junto – um passeio de dia inteiro por toda a Península Valdes, incluindo um passeio marítimo em Puerto Pirâmide – Patrimônio Natural da Humanidade e única vila da península, durante o qual vimos animais maravilhosos, naturezas encantadoras, águas límpidas, de emocionar!

 
Fizemos todo o recorrido pela península, passamos por Puerto Pirâmide, Caleta Valdes, Punta Delgada e Punta Norte, nos encantando ora com a parte terrestre, desde a estrada até a entrada do parque, ora com as vistas marítimas, paisagens sempre repletas de muita vegtação e mutos animais da região. De tirar o fôlego!
 
Jantar: Pizza em La Pedra. Na orla, um cantinho pequerrucho e bem simples, com uma pizza na pedra justa e saborosa e vinhos locais – excelentes – a preço de água!

3° Dia – Puerto Madryn – Trelew – Punta Tombo – Gaiman
Nesse dia fiz um outro passeio de dia todo: fomos até Trelew, visitamos o Museu Paleontológico (divertidíssimo, vale muito a pena!), fomos à pinguinera Punta Tombo e, por fim, conhecemos os chás e as delícias de Gaiman, um vilarejo de colonização galesa, super charmoso e bucólico.
Bem, ver pinguins no canto deles é uma emoção sem fim! Já os vi em Ushuaia, na África do Sul e em Trelew e sempre fico em êxtase, eles são apaixonantes!



 
 Jantar: Placido. Nessa noite tive a singela companhia de um casal de senhores portenhos que fez o passeio conosco. Íamos no El Nautico, após eu fazer muita propaganda, mas lá chegando, estava com fila de espera. Voltamos à orla e jantamos no Placido. Um lugar mais requintado, com uma vista de tirar o fôlego e comida e preços justos! Vale a visita.

4° Dia – Puerto Madryn – mergulho com os lobos marinhos
Eu não nado, nada, nadica de nada! Tudo bem, se der pé, eu me viro, mas não nado, nem preciso dizer que não mergulho, nem boio, só afundo, literalmente! Mas, como todos nós gostamos de desafios... Lá fui eu mergulhar com lobos marinhos. Sim, isso mesmo! Andei pela orla, perguntei sobre as empresas, entrei na que me pareceu mais segura e lá fomos nós: colocamos as roupas de neoprene; os que iam mergulhar de cilindro pegaram os equipamentos e os que iam de snorkel – tipo euzinha! – pegaram seus apetrechos; um barquinho caindo aos pedaços; um guia e mais um rapaz que se revezam para fazer o barco cruzar o mar; e mais alguns poucos turistas de diferentes cantos do planeta (todos sabiam nadar, claro! E a maioria já era mergulhador). Bem, o mar bravejou, o barco balançou, mas não virou, o que já é um bom começo.
 
Chegamos ao recanto dos lobos marinhos fofíssimos. Uma corda foi solta do barco para os que não sabem nadar se guiarem e se segurarem nela. O neoprene não me deixou afundar (neoprene é vida!), a corda não me deixou afundar, os mergulhadores de cilindro afundaram – literalmente, com ajuda de uns tijolos – e lá foram eles a quatro metros de profundidade em um mar tão gelado quanto transparente e lindo. Soltaram bolhas, os lobos adoraram, brincaram e subiam, junto com quem estava na superfície, eu!
 
 
Um momento único, maravilhoso, que só vivenciando pra entender o que é estar naquele canto, praticamente intocado – se não fosse pelas nossas visitas, rs! – com seres mágicos e apaixonantes!
De volta à orla, até tentei caminhar da cidade até o Ecocentro... mas estava tão extasiada, cansada e feliz que faltando pouco mais de 1km dei meia volta. À noite, jantei com a nossa guia dos passeios dos dois primeiros dias num cantinho tipo restobar no centro. Infelizmente, não me lembro do nome do restaurante, mas foi uma delícia!

5° Dia – Puerto Madryn/Trelew/Buenos Aires/São Paulo
Dia de voltar pra casa, contar as histórias e começar a planejar a próxima viagem!

10.2.12

A fome pelos encartes continua!

Definitivamente está me fazendo um bem danado ir garimpando, aos poucos, os CDs e filmes que sempre amaria curtir de cabo a rabo!

Nessa última leva conquistei:
- System of a down: box com 5 CDs (eu já tinha toda a obra dos caras em MP3, mas nada como ter 5 dos CDs da trajetória deles: ouvir cada um, em outra qualidade, comer o encarte, admirar e se deleitar com a obra!);
- Green Day: 21st Century Breakdown (esse é o mais recente - confere? - e eu tenho só os antigões! tô me deliciando com essa que é uma das bandas que mais foram presentes em minha adolescência!);
- NOFX: Wolves in wolves clothes. Bom álbum dos caras que tbm tive o prazer de desfrutar qdo moleca. Esse álbum é mais recente. A faixa 5 tem muita referência do Clash. Enfim, o CD tá no repeat desde ontem!

Logo menos chega mais um do Dropkick Murphys! Uhuuuuu!

6.2.12

Destino: El Calafate e Ushuaia (Patagônia Argentina) - 8 dias

Em 2010 fiz uma das viagens que mais amei. Foi minha primeira ida à patagônia. Digo primeira, pois, com certeza, farei várias idas praquele que se tornou meu canto predileto. É apaixonante!

Como já faz um bom tempo e minha memória é de ostra (até por isso terei de voltar lá muitas e muitas vezes, rs), o roteiro não será recheado de tantas histórias. O que é uma pena, pois a cada dia vivemos “n” cenas inusitadas por lá, dignas de uma viagem inesquecível. Ps.: pra quem preferir, lá embaixo tem o roteiro diminuto pra quem quiser só as dicas, sem as memórias! =)

Eu e o Du, velho amigo de guerra, mais de 10 anos de amizade, votamos pelo conforto de não ter que pensar em nada a não ser em curtir a viagem e optamos por fechar um roteiro em agência de ecoturismo, a Calcos, com intermédio da Jully Tour (fechamos passagens, estadia e “uns” dois passeios diretamente na agência; os demais passeios fomos fechando localmente conforme nos interessávamos e tínhamos disponibilidade). Não que não gostemos de pesquisar e fazer nossos roteiros, reservas, descobertas e tudo o mais... mas, em 2010, estávamos cheios de trabalho, com pouquíssimo tempo e, então, optamos por esse esquema, também cheio de méritos e deméritos como todos os outros jeitinhos de viajar!

Nossa decisão foi por conhecer parte da patagônia argentina em oito dias e, também, dar uma passeada por Buenos Aires, já que não conhecíamos! Mas, o que imagino que valha mesmo a pena, e é um sonho a ser realizado, é fazer a patagônia toda, chilena e argentina, por terra! De carro, bike, a pé, moto, sei lá! Mas tirar um bom período para desfrutar calmamente e o mais completamente possível desse canto único que só deixou saudade e gostinho de quero mais, muito mais! Alguém se anima?

Destino: El Calafate e Ushuaia!

1° Dia – 03/09/2010 – São Paulo / Buenos Aires / El Calafate
O nosso primeiro dia foi de avião! São Paulo pra Buenos Aires, Buenos Aires pra El Calafate. Ao chegar em El Calafate a primeira surpresa: o aeroporto! Tinha acabado de nevar, e nevou a valer! O aeroporto é afastado, numa planície, no meio do nada. Um nada todo branco, belíssimo! Foi uma imagem arrebatadora que deu os indícios do que seria nossa trip: simplesmente sensacional! Do aeroporto partimos ao hotel, junto com mais um monte de gente de várias partes do mundo com destino a vários hotéis e pousadas.

Segunda surpresa: nosso hotel! Ficamos no Mirador del lago. Uma querida amiga havia me indicado esse local e lá ficamos. Bem, como o próprio nome diz, você fica de cara para o lago andino, com aquela brisa da patagônia, com as árvores pensas para um lado devido ao vento. Um lugar belíssimo, indescritível! Um atendimento maravilhoso, uma vista linda e pertinho do centrinho da pequena cidade.

Claro que ao chegarmos, já à noitinha, aproveitamos pra desfrutar de duas das coisas mais deliciosas da Argentina: vinhos e empanadas! Juro pra você que comi a melhor empanada da minha vida na Ecco Max!

2° Dia – 04/09/2010 – El Calafate
No segundo dia optamos por ir ao Glaciar Perito Moreno. Foi um passeio de dia inteiro. Primeiro, um belo e extenso trajeto pelas estradas da região. Todas de uma beleza sem igual. Com muito vento modelando a flora, com muita fauna deixando tudo ainda mais belo. Várias ovelhas fofas pelo caminho. Uma preciosidade.
Ao chegarmos ao Perito Moreno aconteceu o que mais ansiávamos: nevou! Nada podia ser mais maravilhoso!


Caminhamos por toda a passarela que lhe permite ver o glaciar de tudo quanto é jeito. Admiramos cada uma de suas formações. Ficamos extasiados em admirá-lo. Não há palavras para descrever o que é estar lá, debaixo de neve, vendo tons de azul e branco nunca vistos antes. Sentindo aquela natureza em toda a sua força e imensidão.


É de se perceber o quão diminuto somos frente a tudo aquilo e, também, é para se sentir pertencente a tudo aquilo. Divino, sem explicação!


Voltamos inebriados. Descemos no outro extremo da cidade para irmos a algumas agências de guias locais para fecharmos o passeio do dia seguinte. Aproveitamos pra passear pelas ruazinhas e voltamos a pé até o hotel parando em vários cantos. O primeiro lugar que paramos foi um peculiar bistrô numa pracinha de El Calafate. Depois, passeamos pelas lindas ruazinhas desse canto e, mais tarde, comemos, mais vez uma vez, a empanada dos sonhos!

Nessa segunda ida ao canto das empanadas passei uma das gigantes vergonhas provenientes do meu ridículo portunhol! Eu não como mamíferos, nem aves. Aí, que eu queria experimentar uma empanada diferente da do dia anterior, que tinha sido de milho (choclo eu já sabia o que era por conta dos nossos produtos por aqui já serem bilíngües.
Pois é, até os enlatados transitam em duas línguas e eu não tenho essa competência!). Perguntei o que era jamon. Eles explicavam, eu não entendia.
O vinho não me ajudava a entender. Não tem jamon enlatado aqui no Brasil e eu continuava sem entender nadinha de nada. Eis que a dona do cantinho foi pra dentro da loja e voltou ao balcão segurando uma peça gigante da pata de um bicho bem grande, pronta pra ser fatiada e deliciada por todos os carnívoros da patagônia. Ela, segurando a peça imensa, apontando e exclamando: jamon, jamon, este es jamon! Sim, jamon é presunto e aquele era caprichado! Ok, compreendido! Desse sabor não quero. Por gentileza, me dê esta aqui de verduras!

3° Dia – 05/09/2010 – El Calafate
Nesse dia saímos bem cedo. Infelizmente eu tenho um problema de sono, não sou ninguém nas primeiras horas do dia. Acordo mesmo só após às 10h. O chacoalhar de um carro ou qualquer outro meio de transporte é um sonífero pra mim, antes das 10h, então, nem se fala. O fato é que isso fez com que eu perdesse a paisagem a caminho de muitos passeios dormindo. Aí, perdi algumas paisagens matinais, mas as curti no retorno às cidades. Enfim, voltando ao terceiro dia dessa viagem mágica...
Não pegamos neve caindo, o dia estava ensolarado, mas com mais de 30cm de neve por todo canto e muito, muito vento! Na estrada, inclusive, dava pra sentir o vento cortar a van, parecia que ia tombar! No caminho, a paisagem já indicava que seria mais um dia maravilhoso!

Optamos por fazer um passeio de catamarã, no lago argentino, chamado de “Todos los Glacires” para avistar os glaciares de Upsala, O’nelli, Agassis e Bolado. Ao chegar no píer pra embarcar no catamarã o vento continuava absurdo! Nunca vi nada igual! Enfim, embarcados, navegando pelo lago e, claro, não tem palavras pra dizer o que foi esse passeio!


Ficar aos pés dos glaciares, vê-los se movendo, se formando, observar as pequenas cavernas, os tons de branco e azul. É sensacional!


O gelo de lá é extremamente puro! Nas bebidas vendidas a bordo o grande lance era perceber a mistura da bebida com aquele gelo depurado por tanto tempo.


À noite mais um jantar divino no “Los amigos”. Uma marisqueria recomendada em todos os cantos que perguntamos: adonde vocês indicam pra comermos algo daqui?! E, em todo lugar, todos diziam: Los amigos!
E lá fomos nós! O jantar foi divino!

Lá saboreamos, também, um vinho da patagônia, o Ventus (que o rótulo tem, exatamente, a árvore pensa devido aos ventos da região – já tem pra vender por aqui há tempos!).
Degustamos uma cerveja também da região, a Sholken.
E, por fim, a deliciosa sobremesa: um crepe, com direito a ser flambado na sua frente! Inusitado e um deleite aos olhos e ao paladar!

Além disso, jogamos muita conversa fora com o simpaticíssimo casal anfitrião, cheio de história para nos deleitar.


4° Dia – 06/09/2010 – El Calafate / Ushuaia
Nesse dia optamos por conhecer a cidade de El Calafate. Almoçamos por lá, visitamos o casino, fizemos comprinhas, conhecemos cada ruazinha, tomamos vinhos e nos despedimos da melhor empanada do mundo – nesse dia resolvi comer a torta de verduras que eles tinham!
Ah, em El Calafate tem muitas outras opções de passeio a fazer. Como trekkings nos glaciares, passeios de 4x4, dentre tantos outros. Como ficamos só dois dias e meio por lá, optamos por fazer os dois passeios que nos dessem a visão mais ampla da região: um passeio de observação a pé e outro de todos os glaciares pelo lago. Valeria a pena ter ficado mais uns dois dias por lá para desfrutar das demais opções de passeio e, também, pra curtir essa cidadezinha única e deliciosa!

Aí, fomos ao aeroporto de El Calafate e, de lá, para Ushuaia. Bem, nem preciso dizer que ao chegarmos em Ushuaia mais uma vez nos deparamos com um aeroporto super peculiar e, na sequência, embarcamos na van rumo ao Hotel Tolkeyen.
A van estava lotada, todos foram deixados em seus hotéis antes da gente.

Comecei a achar que fizemos mal negócio: hotel distante, nada de fazer coisas a pé, estradinha ruim, alguma coisa tem. E tinha mesmo: um lugar simplesmente divino que fica em uma das extremidades da cidade.
Realmente, não dava para ir a pé ao centro. O que foi longe de ser um problema, pois o hotel disponibiliza transporte aos hóspedes de ida e volta ao centro com várias opções de horário e, também, porque o táxi era barato caso perdêssemos o último horário de retorno ao hotel. O hotel era todo na horizontal, com as janelas do quarto voltadas à água, à baia que banha Ushuaia. Antes de chegar até a água, havia metros e metros de terreno plano, todo encoberto de neve. Com vários cães saltitantes.
Uma vista linda, uma energia única, uma magia que te puxa pra lá e insiste o tempo todo pra que por lá você fique! Demos uma passeada pelo centro. Nos esbaldamos naquela que deve ser a padaria deles. A única opção que ainda estava aberta naquele horário. Comemos a valer e, depois de tanto deleite, voltamos ao hotel e dormimos pra recarregar as energias a tudo que Ushuaia nos prometia!

5° Dia – 07/09/2010 - Ushuaia
Nesse dia fizemos um passeio que incorporou a ida a um dos vários centros invernais da região e ao Paso Garibaldi. Mais uma vez fomos abençoados!
O guia local informou que dias como o que pegamos, de céu aberto, com boa visibilidade, são raríssimos! Aproveitamos cada instante!

Começamos com uma rápida passagem pelo centro invernal e reconhecimento de campo, rs. Lá, num dos trechos, fomos flagrados por duas raposinhas locais que observavam nossos movimentos. Fiquei paquerando aqueles bichos por todo o tempo que ficamos por lá.

Depois, partimos ao Paso Garibaldi. Do qual avistamos o Lago Escondido. Tem esse nome justamente porque não há visbilidade dele na maioria dos dias do ano e pudemos prestigiá-lo e avistá-lo. Não só escondido, mas encantador!




Ah, o dono do “Los Amigos”, lá de El Calafate, contou que morou uma época na cabana que dá pra avistar lá embaixo, no próprio lago. Lá era um local aberto a visitação e ele mantinha um restaurante naquele lugar inusitado e único. Uma benção!

Depois, retornamos para o almoço no centro invernal. Aquecemos nossas patas e cada um optou por uma das várias atividades possíveis de serem realizadas por lá.

Dentre elas, dirigir motonetas, andar com cães, trekking com aparatos apropriados pra não afundar na areia e por ai vai. Depois de muita resistência, de conhecer o canil, os cães, seus tratadores, de ver o quanto são amados e cuidados, resolvi entender que eles gostam de passear conosco: nos levando pro passeio. É uma espécie de trenó.

Eles percorrem as trilhas do centro invernal nos puxando, sem qualquer agressão física ou verbal a eles. Foi um momento único. Ainda fico elaborando se concordo ou não. Me culpo. Mas, ao mesmo tempo, me senti tão pertencente a eles.
Um único ser.

Eles, em equipe, trabalhando para que aquele fosse um passeio belo, cheio de aventuras, de muita velocidade e dedicação.
Depois de me propiciarem tanto carinho e aventura que retibrui também com muito carinho e fiquei um tempão acariciando um a um dos cães. Deliciosos!

Na volta, paramos no extremo oposto da cidade. No qual visitamos o museu da história local e passeamos pelas ruazinhas do centro da cidade. Importante lembrar que lá é uma zona franca. Ou seja, muitas e muitas lojas sem imposto! Um desbunde ao cartão de crédito!


Aproveitamos para ir parando em diferentes pubs e pra registrar cada canto que fomos por lá!

6° Dia – 08/09/2010 - Ushuaia

Esse foi o dia de ir aos limites do fim do mundo!
Fizemos um passeio ao Parque Nacional Tierra del Fuego!
Fomos guiados pela Vic.
Uma pessoa ímpar. Companheiríssima de viagem.
Nos esbaldamos com a história dessa porteña que, durante a faculdade de hotelaria, fez uma imersão numa colônia alternativa da patagônia e, assim que terminou a graduação, decidiu se mudar pra lá de mala e cuia e lá fincar suas raízes. Apaixonada pelo que faz, apaixonada por Ushuaia.
Uma pessoa que iluminou e guiou nossa estadia por lá e, claro, fizemos questão de manter contato com ela!

Voltando aos passos dados nesse dia: chegamos à estação do fim do mundo. Embarcamos no trem e fomos admirando a paisagem do Parque Nacional Tierra del Fuego.

Tudo começou lá pra trás.
Ushuaia, assim como muitas outras cidades mundo a fora, foi, inicialmente, um presídio: um local inóspito, de águas extremamente frias, sem condição de nadar numa fuga, de vegetação imprópria para consumo e fauna bem difícil de ser caçada. Assim, as possibilidades de um fugitivo sobreviver eram irrisórias, ou, talvez, inexistentes! Após o fechamento do presídio e a urbanização de Ushuaia, esse local que visitamos foi, então, transformado em um parque.

Percorremos cada canto do parque de trem. Um dia lindíssimo, de um céu azul. Muita em decorrência da nevasca dos dias anteriores. Da janela do trem avistamos uma flora riquíssima, cavalos selvagens peludos (isso mesmo, daqueles que eu só tinha visto em filme e em desenhos!), por vezes neblinas que encobriam a luz do sol e esfriavam ainda mais a temperatura, complementando aquele cenário bucólico, indescritível e inesquecível.

Durante o trajeto, fizemos várias paradas pelos principais pontos do parque. 


Havia, inclusive, um museu no meio do caminho, com a descrição das aves locais, a Bahia Enseñada, o belíssimo Lago Roca e a Laguna Negra e, por fim, chegamos à Bahia Lapataia.

Cada canto que percorremos, cada solo que pisamos, cada lago que avistamos foi nos impressionando mais e mais. Uma beleza sem igual! De tirar o fôlego!

 

De volta ao centro da cidade e acompanhados da Adriana, uma viajante brasileira, passeamos e almoçamos no centrinho de Ushuaia, num canto bem especial: La Tienda. Um bistrô sem precedentes que vale a visita pelas delícias que serve e pela peculiaridade do espaço! Uma casa antiga, com objetos antigos, uma maravilha aos olhos e às sensações!


Ficamos por lá até dar a hora do nosso próximo passeio: optamos por fazer um passeio de catamarã pelo Canal de Beagle e conhecer a bela fauna marinha que habita a região.

Embarcamos para o próximo encantamento! Infelizmente minha memória não me permite lembrar cada singularidade que o marinheiro da expedição contou, só sei que foi um dos passeios mais divinos que já fiz!


Cada lado que olhava era uma cena absurda! Lobos e elefantes marinhos; um monte de pequenas aves, parecidas com pingüins diminutos, os cormorones (essas aves são monogâmicas também e elas estavam namorando, ai, tão fofas!).



Uma vista de todo o sul da patagônia: as partes de Chile e Argentina; a sensação de estar o mais próximo possível da Antártida (mais perto que isso, só encarando a expedição até lá! Está nos planos dessa pequena aqui, com certeza!). Conclusão: não havia motivo pra voltar à terra firme com tanta vida exuberante para apreciar!
Ao voltarmos, como o Du havia alguém para encarar uma centoella, o king crab da patagônia, fomos a um restaurante local que servisse essa iguaria. Vinho bom, comida boa, companhia melhor ainda e, assim, voltamos ao hotel: felizes!

7° Dia – 09/09/2010 - Ushuaia

Nessa dia ficamos em dúvida entre ir ao Cerro Castor, famoso centro de esqui de Ushuaia, ou ir a outro centro de esqui, o Glaciar Martial. Optamos pelo segundo por diversos motivos, dentre eles: mais barato para ir; transporte mais fácil, barato e próximo ao centro; para nós, iniciantes, não adiantaria ir num centro de esqui cheio de diferentes pistas se só podíamos ficar na de iniciante com o instrutor, rs; e, por fim, tinha um teleférico lindo que dava para avistar a cidade. E lá fomos nós!

Optamos por não subir o teleférico mas, sim, fazer a aula de snowboard. Na verdade, só o Du fez a aula e praticou. Como eu jogaria um torneio de rugby no Uruguai no mês seguinte representando o Pasteur, como uma galeta responsável, não me arrisquei na neve. Afinal, desengonçada como sou, era capaz de eu me quebrar todinha, rs! Fiquei lá tirando foto do Du, prestigiando o visual, me deliciando com cervejas locais e, então, conheci a Manu! Gente, a Manu, assim como a Vic, foi uma das conquistas de nossa viagem! Ela é bióloga, mas atua em programas de TV viajando a locais inusitados, nos apresentando a beleza da vida animal e da harmonia da natureza e, por vezes, denunciando todo o desequilibro que temos causado em nossa planeta!
Bem, passada a aula do Du, nos despedimos da Manu e eu e ele fomos à casa de chá que fica bem em frente ao glaciar. É uma casa de boneca! Fomos recepcionados por um enorme e lindo São Bernardo. Nos deliciamos com chás, cervejas e doces de tirar o fôlego!

 
Bora voltar pra cidade! Eu e o Du optamos por andar por entre as ruas, aproveitar que estava claro, e encarar parte da volta ao hotel a pé! Foi delicioso!
Encontramos uma cancha de rugby, mas não tinha ninguém para eu conseguir uma camiseta, rs. Passeamos por ruas lindas. Nos deparamos com casinhas fofas. Nos divertimos a valer!

Chegando ao hotel, os cães que lá moram nos recepcionaram e começamos a brincar com eles na neve.
Dessa vez o Du ficou tirando foto e eu fiquei me divertindo com a cachorrada correndo com eles na neve fofa!


Depois de um bom banho, combinamos de seqüestrar a Manu no hotel dela. Nesse dia, ela jantou conosco. Novamente: comida boa, vinho bom, companhia boa, lembrança pra toda a vida!


8° Dia – 10/09/2010 - Ushuaia / Buenos Aires
Na manhã desse nosso último dia em Ushuaia, acompanhamos a Manu no Glaciar Marcial. Subimos o teleférico! Curtimos a vista belíssima. Encontramos um iglu no meio do caminho. Rimos a valer, foi divertidíssimo! 



Depois disso, voltamos ao centrinho e levamos a Manu ao La Tienda. Nos despedimos!
De lá, eu e Du passemos pela cidade, fizemos nossas últimas comprinhas, nos despedimos daquele canto divino e inesquecível e rumamos ao hotel. A Vic nos buscou e nos levou ao aeroporto. Mais uma despedida. Mais um aperto de um lugar que já tinha deixado saudade! De lá, fomos à Buenos Aires.
Em Buenos Aires ficamos num hotel bem central, de fácil acesso a qualquer canto e a pé das principais atrações do centro da cidade, o Dazzler. Indicado, dessa vez, por um querido amigo.

9° Dia – 11/09/2010 - Buenos Aires
Em BsAs parecia que nada tinha graça, rs. Depois de vivenciar dias tão intensos, imersos juntos à natureza, uma cidade grande, por mais especial que seja como BsAs, não animava. Mas, ainda assim, fizemos tudo aquilo que conseguimos fazer em nossa primeira estada por lá: La Boca/Caminito; Rua Florida; Casa Rosada; etc e tal!
No Caminito foi bem engraçado, pois eu estava de palestrina, claro! E como bons conhecedores de futebol, todos nos paravam, caçoando ou prestigiando. Foi, no mínimo, divertido! Conhecemos pessoas hilárias. De uma simplicidade e humildade sem tamanho. Ficamos muito surpresos com aquele cantinho.
Depois de muitas empanadas, vinhos e cafésà noite fomos a uma milonga, optamos pelo La Viruta. Canto tradicional de lá, com uma aula de tango anterior ao baile. Um lugar charmoso, delicioso, com pessoas animadíssimas. Adoramos, mas nos concentramos na Quilmes, rs. De lá, seguimos a pé à Plaza Serrano, praça tradicional de Palermo que concentra inúmeros bares. Tomamos várias em cada bar e, depois, pastamos pra encontrar um taxi e voltarmos ao centro! Todos lotados, o metrô ainda não estava em funcionamento, foi uma labuta e tanto mas, no fim, conseguimos chegar ao hotel!
Ps.: As fotos dessa parte estão com o Du e e, vergonhasamente, não pegue até hoje, rs!

10° Dia – 12/09/2010 - Buenos Aires / São Paulo
Tiramos a manhã para conhecer San Telmo. Foi demais! Único problema é que aqui o taxista nos enrolou e roubou 50 pesos. Mas, é típico de lá e já sabíamos que isso poderia acontecer, rs. Dano calculado! O único dano não calculado, foi o furto do óculos do Du diretamente da mochila dele em plena Rua Florida. Conclusão: claro, se atenham ao seus pertences em qualquer canto que esteja!
Aí, famintos depois de San Telmo e rodando o centro todo para o Du encontrar um bom e barato casaco de couro, descobrimos que por lá, aos domingos, não há o costume de comer tarde. Demoramos a achar um restaurante aberto, mas, quando achamos, fechamos nossa estadia no país vizinho com chave de ouro! Foi delicioso!
Bem, claro que BsAs pede inúmeras outras visitas para prestigiar muitos de seus segredos e cantos conhecidos! Em breve, em breve!


Nos preparamos para ir embora e, ao descer as malas, demos de frente com o Marco e a Paula, meus queridos do estúdio Marco Tattoo. Eles estavam chegando por lá para passarem a semana. Foi uma delícia finalizar a trip com um reencontro!


Observação geral e não menos importante: o povo argentino é extremamente esclarecido. De modo geral, sabem tudo que está acontecendo nos âmbitos político, social e futebolístico do seu país e do nosso! Os antigos conflitos com o Chile, as Malvinas, a nossa eleição tupiniquim para presidência, enfim, quaisquer temas que você quiser, converse com qualquer argentino! No taxi, no café, no restaurante, no hotel, nos passeios, na rua, com pedestres, nas barraquinhas. Qualquer um! É de se admirar e ver que é possível proporcionar educação a todo um povo. Proporcionar que a população seja esclarecida, crítica, ativa: cada qual com sua opinião (e, muitas vezes, bem diferente da sua, rs!), cada qual com sua formação, mas todos extremamente esclarecidos, informados, articulados!


Roteiro sem delongas pra quem quiser as dicas, não as histórias, rs!
(fico devendo valores, fui em 2010 e não tenho registro. Acredito que com pouco mais de 1000 dólares seja possível fazer o mesmo roteiro hoje em dia):

1° Dia - São Paulo/ Buenos Aires/El Calafate
Avião até BsAs
Avião até El Calafate
Estadia em Mirador del Lago (3 noites)
Lanche noturno em Ecco Max

2° Dia - El Calafate
- Glaciar Perito Moreno: escadaria/passarela/sacadas
- Almojanta em restaurante local
- Empanada antes de dormir na Ecco Max

3° Dia - El Calafate
- Todos los Glaciares: passeio em catamarã pelo lago andino, vislumbrando os glaciares de Upsala, O’nelli, Agassis e Bolado
- Jantar no “Los amigos”, marisqueria


4° Dia - El Calafate / Ushuaia
- Passeio a pé por El Calafate
- Avião a Ushuaia
- Jantar em padaria/lanchonete no centro da cidade
- Estadia em Tolkeyen Hotel  (4 noites)

5° Dia - Ushuaia
- Lago Escondido/Paso Garibaldi
- Centro invernal
- Museus no centro
- Comidinhas e bebidinhas em pubs

6° Dia - Ushuaia
- Parque Nacional Tierra del Fuego (trem com paradas por Lago Roca; Laguna Negra;  Bahia Lapataia)
- Almoço no La Tienda
- Canal de Beagle e fauna marinha: passeio de catamarã
- Jantar em restaurante local que oferta centoella/king crab

7° Dia - Ushuaia
- Centro de esqui Glaciar Martial
- Casa de chá em frente ao centro de esqui
- Jantar em restaurante local

8° Dia - Ushuaia / Buenos Aires
- Centro de esqui Glaciar Martial
- La Tienda
- Avião a Buenos Aires
- Estadia no Dazzler (duas noites)

9° Dia - Buenos Aires
- La Boca/Caminito
- Região central/compras
- Casa Rosada
- La Viruta (Milonga)
- Palermo

10° Dia - Buenos Aires / São Paulo
- San Telmo
- Avião de volta a São Paulo